segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ao Mestre


Éramos uma turma de trinta e dois amigos. Trinta e dois adolescentes, a gente não era amigo: éramos irmãos.
Quando o Bello entrava na sala, a gente não se sentava e nem fazia silêncio. Continuava a gritaria, e ele, com toda a paciência que lhe é característica, dizia: "Boa tarde, pessoal, sentem para que faça a chamada."
Bello...
Ele mostrava com toda paciência do mundo como desencapar um fio, e fazia as emendas "rabo de rato" como nenhum outro pica-fio no mundo.
Quando ele estava mal humorado, deixava a sala sem intervalo. Mas foi ele quem me fez ler O Pequeno Principe, que me ensinou a esperar menos para que me surpreendesse mais.
Um dia, ele nos avisou sobre o "Dia do Talento". Cada um teria que mostrar o que fazia de melhor. E nós tocamos violão, comemos paçoca, cortamos um bolo com uma régua. E ele, em toda sua humildade, vestiu a ideia adolescente e brincou com a gente.
Hoje, quando penso no Bello, sinto meu olhar ser inudado. A lembrança não é triste, mas saudosista. Sempre que nos vê na escola, ele faz questão de perguntar como estamos, e muitas vezes nos dá um abraço, coisa que outros professores não se permitem.
Bello, o homem que nos ensinou muito mais que alguns ohms, nos ensinou VALORES.

2 comentários: