quinta-feira, 17 de março de 2011

- É aqui, Manu!

- Thi, que lindo! – ela disse, quando tirei as mãos de seus olhos, revelando uma surpresa. Era o pôr-do-sol, de um fim de tarde onde os termômetros marcavam 12ºC.

Era o meio de junho, fazia pouco mais de um mês que estávamos juntos. Aquela parecia a ocasião perfeita pro que eu pretendia fazer.

- Gostou, amor?

- É lindo, Thi! Incomparável a qualquer coisa que eu já tenha visto.

- Que bom que você gostou amor – coloquei as mãos no bolso do casaco dela, virando-a de frente e puxando-a pra mim. – É bonito como você achou que fosse?

- Não, é bem mais bonito do que eu pensei, apesar de já ter visto de casa. – Era um dos pontos mais altos da cidade, de onde podíamos ver toda a parte central, e muito do céu rosado sem nuvem alguma.

- Eu já tinha passado aqui muitas vezes. Inúmeras, na verdade. Mas nunca trouxe ninguém, até hoje. Nunca tinha visto um pôr-do-sol acompanhado.

- Porque não trouxe ninguém?

- Ninguém foi especial o suficiente.

- Mas nem pela experiência? – Manu sorriu tímida, sabendo que ela era realmente significante pra que eu a trouxesse.

- Toda primeira vez tem que ser com alguém especial. Esse é meu primeiro pôr-do-sol acompanhado, e eu tenho certeza que não poderia ser melhor.

- Tem certeza? – ela sabia que eu tinha.

- Tenho, amor. – a hora era essa. Soltei minhas mãos de seu casaco, e peguei a mochila em minhas costas. Fiz menção de olhar as horas no celular, e ela se virou de costas, apoiando-se na grade da ponte. Os carros passavam, e o vento deixava o cabelo dela esvoaçante. Manu só percebeu quando a abracei, por trás, passando meu braço em sua cintura. Em minha mão, uma florzinha.

- Pra você – e tão logo quanto ela pegasse a flor, afaguei-lhe o rosto, sentindo-o quente. – namora comigo?

Ela virou pra mim imediatamente, rosa, e foi avermelhando, a pele branca que eu amava. Olhos firmes em lugar nenhum, olhou pro chão e voltou pro meu rosto.

- Você ta falando sério?

- Aham. Quero que você seja minha namorada. Sem cobrança, sabe? Sem pedidos de casamento, sem ciúmes exagerados, sem declarações de amor eterno, já que nada dura tudo isso. Eu quero que a gente possa sair juntos, e se divertir juntos. E separados também, você com seus amigos, e eu com os meus. É só você falar que sim, pra eu começar a tentar fazer você feliz. Namora comigo?

Manu estava literalmente roxa. Me apertou forte, escondendo o rosto em meu peito.

- Que resposta você quer?

- Qualquer sinônimo de “sim”, ou “lógico”.

Ela voltou a me abraçar. Entrelaçou os dedos de nossas duas mãos, e se apoiou em mim. O vento era bem forte, e ela apenas subiu a cabeça, pra sussurrar um “aham” em meu ouvido. Apenas segurei sua cintura, tomando-a para beijá-la, sem sequer me importar com os carros que passavam no transito das 19 horas. Aquele era meu momento, nosso momento. E eu ia guardá-lo pra sempre.

Nenhum comentário:

Postar um comentário